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domingo, 16 de outubro de 2011

TRILOGIA PRINCE OF PERSIA- ANALISE


Prince of Persia é uma das trilogias mais populares da anterior geração de consolas e durante muito tempo foi a grande coqueluche da Ubisoft. Gozou de um estatuto singular e fundou os alicerces de alguns dos mais conceituados franchises da actual geração de consolas. Numa altura em que a criatividade era muito mais valorizada do que qualquer contagem de polígonos no ecrã e que nem tudo o que chegava às lojas se inseria de alguma forma dentro do género shooter, a Ubisoft deu-nos uma versão, na altura, actual de um clássico.
O sucesso de Sands of Time despoletou o que viria a tornar-se numa trilogia principal que conta ainda com várias ramificações nas mais variadas consolas mas que infelizmente não conseguiu manter a elevada qualidade do primeiro ao longo dos anos e cujo estatuto se foi perdendo.
A oportunidade de ter num só disco os três jogos representa-se como única pois de uma só vez temos toda a história deste príncipe que nos conquistou, a alguns pelo menos. Desde a magia e até inocência do primeiro, que por vezes no parecia querer dizer que estávamos num filme Disney, ao tom mais negro e adulto do segundo até ao terceiro e final jogo da trilogia, esta é uma história que certamente vale a pena conhecer, ou recuperar, mas não sem algumas máculas. Isto porque a origem de todo um fenómeno e de toda uma máquina inspiradora foi como que vítima de si mesma. Desde a trilogia original, que começou em 2003 e foi saindo anualmente até 2005, que muito já foi feito com base na inspiração e mais do que isso, foi altamente evoluído.
'Prince of Persia HD Trilogy' Screenshot 1
O início de todo um fenómeno.
A qualidade da remasterização está intimamente ligada à qualidade do produto original. E se em God of War, a única comparação remasterizada existente, o produto remasterizado atesta que a série tinha dos melhores visuais e jogabilidade da sua época, já Prince of Persia nos relembra que nem tudo correu pelo melhor. Enquanto God of War I e II quase que poderiam passar por jogos actuais, imaginem se fosse tecnologicamente possível remasterizar ambos os jogos usando o motor de God of War III mas mantendo na mesma a jogabilidade e mecânicas inalteradas, ambos se iriam transparecer com uma sensação actual, o atestar de toda uma qualidade. Prince of Persia enquanto série já não o consegue.
Voltar à trilogia original serviu mais como uma lição sobre como as bases de algumas das maiores referências da actualidade surgiram, ao invés de ressuscitar o sentimento que na altura nos invadiu. Sands of Time é um dos meus jogos favoritos da anterior geração e apesar de agradável de revisitar, o passar do tempo deixou bem patentes as suas marcas. O que antes era uma jogabilidade de referência é agora algo preso e pouco intuitivo. Uma das provas mais evidentes, diria eu, de como Uncharted, o Prince of Persia de 2008 e Assassin's Creed levaram as coisas para novos e muito maiores patamares.

Numa colectânea como esta a qualidade dos visuais é um dos maiores pontos de referência, já que praticamente tudo o resto permanece inalterado. Novamente, comparando a God of War, estes eram dos melhores visuais da anterior geração e ainda impressionam, já os jogos Prince of Persia estavam num patamar diferente e a qualidade visual não consegue surpreender tanto. Diria mesmo que um pouco da magia visual que retinha se perdeu ao ser confrontado com um aparato visual que apesar de mais nítido e mais detalhado, poderia ter sido tratado com alguns efeitos para lhe dar maior apelo.
Não só devido aos visuais mas ao produto em si, a sensação que predominou ao longo da experiência de jogo era a de que a magia que tinha ficado na memória se desvanecia consoante ia jogando. Pode ser um problema pessoal mas ao invés de se sentir como uma consagração e celebração a uma série de sucesso, sentiu-se mais como uma aula de história do que um passatempo para descansar de um dia atarefado. Serviu mais para mostrar como tudo evoluiu do que propriamente para mostrar como tudo era tão bom na altura.
Talvez por isso considere que o pacote é mais facilmente aconselhado a novatos que nunca tiveram a oportunidade de o experimentar, qualquer um dos jogos, do que propriamente aos verdadeiros aficionados. Esses tem provavelmente os originais na sua colecção e até em várias versões, tendo em conta que já existia uma versão Trilogia para a PlayStation 2. De certa forma o visual adaptado para a alta definição acaba por ser o maior atractivo do pacote e um com pouca força. O modo 3D é outra das novidades mas provavelmente só 00.01% dos jogadores o vão poder aproveitar.
'Prince of Persia HD Trilogy' Screenshot 4
As secção de plataformas marcaram toda uma diferença.
Este recuperar dos clássicos da era 128 bits para esta actual geração de consolas serviu também para relembrar de como se vivia de alguma forma a indústria naquela altura, e comparativamente como se vive a mesma actualmente. O que se fez ao longo destes cinco anos e até que ponto estes são jogos realmente dignos do estatuto de clássicos capazes de resistir ao teste do tempo. Pode não agradar a todos mas para os que nunca tiveram a oportunidade de jogar estes jogos, é uma oportunidade de ouro para conhecerem toda uma revolução de um género.
Prince of Persia HD Trilogy não vai espantar ninguém, e nem é de forma alguma tão recomendável como God of War: Collection, mas para os fãs dos originais é um bom convite a reviverem o que os espantou. Para os que nunca jogaram e nos dias de hoje vivem fascinados com Assassin's Creed, é uma grande oportunidade para conhecerem as bases e origens da jogabilidade que agora é marca registada do produto da era da alta definição

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